Oi gente, estou de volta (todos erguem os braços pelo milagre kk). Primeiro, peço que de uma forma geral desculpas pela inatividade eminente do blog. As aulas voltaram e sei que vocês sabem que não está fácil pra ninguém. Para as minhas leitoras do Nyah! que acompanham o blog, peço desculpas novamente. Postarei em breve tudo que tenho que postar. O blog deve receber uma quantidade  grande de resenhas minhas nos próximos dias, portanto, a  opinião de vocês é mais que importante. O que vocês tem lido? O que querem ler? Ou até mesmo: "Pare de falar desses livros, ninguém se importa." ! Mas me digam o que estão achando.
Agora, voltando ao post: Confiram a resenha desse livro e leiam esse livro. Mais do que vale a pena.




Cidades de Papel - John Green 

A primeira coisa com o que você se depara, assim que pega o livro, é com uma capa peculiar, de um livro com um nome peculiar. Rodei o exemplar nas minhas mãos e li o verso e não pude deixar de me surpreender com o que li. 
Eu pensei: "Isso está nos padrões do Green, mas ao mesmo tempo, não está.". 
Não é como se eu tivesse algo contra o John Green. Até porque, livros são relativos. Eles chegam na hora certa, nas mãos da pessoa certa quando você precisa lê-los. Já tive provas disso. Como achar livros no ônibus, alguém os esquecer em minha casa ou simplesmente um bibliotecário que me vê na biblioteca há décadas e nunca falou comigo, dizer: "Esse livro espelharia e tocaria sua alma profundamente.". Então, assim como todo livro que me chegou de forma inusitada, Cidades de Papel, se mostrou correta para mim naquele momento. E quem sabe, seja a hora certa para você também. 



" Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. Por exemplo, muito provavelmente eu nunca vou ser atingido por um raio, nem ganhar um prêmio Nobel, nem ter um câncer terminal de ouvido.  Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que cada um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido meses a deriva no mar.  Mas meu milagre foi o seguinte: de todas as casas, em todo condado da Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spielgeman" 
- Verso de Cidades de Papel

Obs: A resenha não contém nenhum spoiler diferente da sinopse do livro.
Alguns trechos do livro serão citados em forma de prosa durante o texto. 

Assim que li as primeiras páginas de Cidades de Papel, fui recebida por uma narrativa dinâmica e inteligente, daquelas que te faz querer continuar lendo, sabe? Mas de maneira alguma, extraordinária. Q, era um garoto normal do colegial, com amigos normais, apaixonado por sua vizinha e amiga de infância Margo, a garota mais importante e interessante de todo colégio, com quem certamente jamais teria chances.

E muito provavelmente, eu nunca estive tão enganada em toda minha vida. Porque Q e Margo podem ser rotulados de muitas coisas, menos de normais. 

Entre os dois, existia uma barreira psicológica que foi criada ao longo dos anos sem uma amizade sólida, mas que foi quebrada rapidamente, assim que em um dia monótono, em uma noite como qualquer outra, Margo Roth Spielgeman  invade a janela de Q, vestida de ninja e disposta a fazer com que ele a  acompanhasse por uma de suas aventuras.

E foi o que ele fez.

Margo e Q, se mostram inicialmente como polos opostos. Ela é uma alma livre, querendo fugir de qualquer coisa que a impeça de viver do jeito que acredita. Inteligente, vingativa e audaciosa, lutando para não ser domada por uma rotina e um sistema mesquinho. A garota que faz coisas incríveis, quase que in
acreditáveis, que vivia fugindo, integrante temporária de um circo e rainha da escola onde estudam. Ele, particularmente, nunca se importou com uma rotina, com o tédio e com ir para a faculdade, para ter um bom emprego, comprar uma casa bacana, construir uma família com filhos que iriam para faculdade, para terem um bom emprego e comprarem casas bacanas. Ainda assim, no decorrer da noite, você percebe que a inteligência e coragem (a última não tão perceptível em Q) forma um ar de cumplicidade eminente entre ambos.

E em seguida, Margo desaparece. Para todo resto do mundo aquela não era uma novidade, mas Q sabia que ela queria que ele a encontrasse.  Então, segue uma série de pistas que vai descobrindo ao redor do tempo, com a ajuda de Radar e Ben, seus melhores amigos. 
Ben é um ótimo personagem. Engraçado e dinâmico, faz com que você ria nas situações mais inusitadas. E Radar é um gênio da computação, extremamente compreensivo e leal. 

Entretanto, com o aprofundamento da busca, Q, começa a se perguntar quem realmente era Margo Roth Spielgeman. E a partir das pistas que ele encontra, vamos mergulhando junto com ele na alma de uma garota tão singular. Mas que acima de tudo, é apenas uma garota. Com a proximidade da formatura e um poema marcante, o livro faz com que você questione de várias formas a nossa sociedade, os relacionamentos sociais e o que significa ir embora.

 Do meio para frente, a filosofia do livro começa a aparecer em cada frase e aquele novo mundo, que de inicio pode ter parecido inusitado demais para você e aquela personagem que de inicio possa ter parecido clichê demais para você começam ase tornar cada vez mais próximos. 

O que teria levado Margo a sair de Orlando? Aquela cidade de papel, onde as pessoas tinham duas dimensões e nenhuma profundidade? 

Talvez Margo seja egocêntrica, vaidosa e egoísta, como os leitores dizem e como a mesma afirma em algumas passagens. Mas quem não tem defeitos? E o que significa lidar com eles? Margo era do jeito que era, Q era do jeito que era. E Lace, e Chucky, e Radar e Ben. Pessoas são diferentes de várias formas e amar alguém, antes de tudo, significa amar seus defeitos também. 

Conforme as perguntas vão sendo respondidas tudo se torna cativante de uma forma impressionante. Quem é Q? Quem é Margo? Quem eu sou? O livro te leva a um entendimento maior de tudo ao seu redor e francamente, por mais que eu tentasse, jamais conseguiria colocar isso em palavras. 

Aconselho o livro a todos. Leiam e me contem o que acharam, os que já leram, me digam. E como avisei lá em cima, esta deve ser só a primeira resenha de uma sequência, o que torna a opinião de vocês muito importante. 


“Olhe para todas aquelas ruas sem saída, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas, todas aquelas casas construídas para virem abaixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis como papel. E todas as pessoas também.”
- Margo Roth Spielgeman 

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